domingo, 17 de fevereiro de 2008

The book is on the table

Aposto que você já ouviu que uma das coisas fundamentais que uma pessoa precisa fazer antes de morrer é escrever um livro. Acho tal afirmação no mínimo imbecil. No mínimo. Primeiro porque hoje as pessoas não sabem o que dizer. Na verdade elas não sabem quase nada. O pouco de conhecimento que elas têm é cultura inútil. Mas essa afirmação é também imbecil porque as pessoas já não lêem. O impacto da revolução pop, na segunda metade do século XX, foi aos poucos substituindo o texto escrito pela imagem visual. O princípio da cultura pop é a visibilidade total. Por isso você vê esse exagero de fotos um tanto apelativas, eu diria, em alguns sites da internet (sim, me refiro ao fotolog). As pessoas já não têm o que dizer, então elas se mostram. Corpos, caras e bocas invadem as telas dos computadores buscando um espaço, buscando 15 minutos de fama. Alguns conseguem até um pouco mais. Mas isso é tudo o que elas têm pra oferecer. Imagem. Apenas a imagem. Elas sequer se dão ao trabalho de ler o texto de algum amigo em um desses sites (sim, ainda me refiro ao fotolog). E por que você acha que uma pessoa dessas deveria escrever um livro? Antes de morrer ela precisaria nascer de novo. E escrever pra que, se já não há quem leia? Ainda assim, as livrarias estão cheias de papéis em que tudo o que se tem impresso neles são bobagens. Bobagens, porque é isto o que a cultura pop cria: imbecis. Então, ao invés de tentar escrever um livro, vá plantar uma árvore. O planeta agradece.

3 comentários:

Laine disse...

Caraka...Faz tempo que penso em plantar um "ÁRVORE..."mas com essa sua puxada de orelha pra todas as pessoas desse planeta, vou correndo plantar uma!
Tô brincado viu..eu sei o que vc quis dizer, mas a idéia de plantar uma árvore é interessante bessa, quando eu fizer isso te aviso!rsrsrs...
bjsss

Ricardo Gomes disse...

acho que na verdade, todo mundo tem seu lado futil e seu lado quero somente aparecer, por isso tenho dois cantos!! onde mostro minhas duas faces.

beijos

jay disse...

na verdade o ultimo livro que publiquei - em Dez de 2007, não tinha uma única palavra. (tinha talvez o meu nome, isso tinha...). era um belo livro, cheio de cores, com aquele cheiro bom que os livros novos têm, e que me deu muito prazer fazer.
Retornar ao flog foi para mim, hoje uma pequena vitória. A recuperação da cirurgia aos olhos está com bons progressos, e eu orgulhoso escrevia "I can see clearly now!" refugiando-me nos poemas das musicas como sempre faço para defender a minha vida privada.
Cheguei ao teu flog e ele tinha sido fechado. Por momentos achei que te tinha perdido na net. Realizei então que tinha passado tanto tempo que te perdera o rasto, ou eu me perdera no embaçado que durante todo este tempo era o meu mundo, sem cores e sem formas. Ensinaram-me a fazer as letras, mas nunca me ensinaram a escrever. sou um autodidata. Da mesma forma que nunca me ensinaram a pegar num pincel e eu faço a minha pintura, ainda autodidata, ou com a fotografia, que também nunca aprendi. Numa palavra, não faço nada muito bem. Mas hoje, por momentos senti que te tinha perdido. Nunca me ensinaram esse sentimento, mas pareceu-me tão genuino...
E afinal tu estavas ali...
JJ