sexta-feira, 2 de maio de 2008

Madrugada alta.

Tudo lá fora vai tão calmo. A chuva cai sensível com suas gotas graciosas. O frio entra tímido pelas frestas das janelas. Já não há muitas luzes acesas. Há um barulho de silêncio que se pode ouvir mesmo com a música que a chuva produz. O ar explode em cores diversas mesmo com o negro da noite. Serão os sonhos? Os travesseiros ouvem os mais íntimos segredos. Os cobertores acolhem o calor que emana dos sonhos talvez proibidos. O vento sussurra palavras que arrepiam as cortinas. O pêndulo do relógio balança no seu gingado tentando acordar a vida ausente. É madrugada alta. As folhas vão caindo e dando à rua um tapete acinzentado. E o mundo se prepara para uma vez mais acordar seus frágeis visitantes.

Um comentário:

jay disse...

Os sons e os silencios que eu conheço bem, noites longas.Durmo pouco, tenho então tempo para que a noite me envolva, me solte, me molhe de cores, em galopes de rédea solta.

...quando o dia nasce, eu tenho tanto para contar...


"Homens d chapéu e cigarros compridos vagueiam pelas ruas com olhares cheios de nada
Mulheres meio despidas enconstadas a parede fazem-me sinais que finjo nao entender
Loucas são as noites
Que passo sem dormir
Os bares estao fechados já não há onde beber
Este silêncio escuro nao me deixa adormecer
Loucas são as noites
Levam contigo mostra-me onde estás
É que um dia o castigo é viver assim sem nos lembrarmos
Sozinho com o peso do caminho que se fez para tráz"


Pedro Abrunhosa emprestou-me a voz, no comentário.