domingo, 19 de setembro de 2010

Macunaíma - Mário de Andrade


Uma verdadeira revolução na linguagem literária, Macunaíma, de Mário de Andrade, é desses livros deliciosos de ler. Desses que se você estiver lendo no ônibus vai passar vergonha, porque não irá conseguir conter o riso diante dos desconhecidos que certamente irão te olhar como se você fosse um louco. A estória do herói sem nenhum caráter é povoada por mitos indígenas que fazem parte do folclore brasileiro, e todos eles são divertidíssimos. Além desses mitos que já existiam e que graças ao produto de sua pesquisa o escritor conseguiu reuni-los na sua rapsódia, há também os mitos criados pelo escritor. Mário acrescenta aos mitos folclóricos da cultura brasileira os seus próprios, sempre com muito humor e por vezes de maneira irônica. Um texto que continua guardando seu frescor moderno. Uma leitura prazerosa e inovadora, onde se mesclam o brasileiro falado e o português escrito, num jogo interessantíssimo com as palavras. A meu ver, o verdadeiro grito de independência que o Brasil deu. Aqui o nacionalismo é presente sem ser xenófobo, consume apenas o que há de bom na arte estrangeira. No seu movimento antropofágico, a nossa arte conseguiu finalmente libertar-se dos modelos estrangeiros estabelecidos (já que a arte não se prende a modelos e formas), e se apresenta como uma arte vanguardista, que dialoga com o que há de mais interessante no mundo da arte. Macunaíma é uma brincadeira séria, um jogo difícil em que autor e leitor vão além da cumplicidade, vão experimentando juntos novas possibilidades na arte de narrar.

6 comentários:

david era uma vez... disse...

Foi me apresentado esse livro no primeiro colegial ou no 1ºano do segundo grau ou no 1ºano do ensino médio se vc preferir... ( como sera que vai chamar daqui a 15 anos?) Meu professor de literatura foi tãããão intusiasmático com sua apensentação que até hoje não li... Ele disse, este é um livro que vc pode ler de trás para frente do meio para as pontas do começo para o fim que tudo da na mesma!
Veja, se teu professor fala isso.. vc que ainda é um pirralho que tem um puta preconceito com literatura vai pensar o que? Nemfudendovouler!
Mas acho que ja ta na hora de expurgar os demonios desse professor frustrado e ler Macunaíma..... pois bem será meu primeiro livro pós era gardenal!!
Prometo a você!!
Ja vou atras dele esta semana!

Beijos Bruno...
Saudades de conversas do flog... preciso atualizar por la tambem!

Marcelo R. Rezende disse...

Nunca li Macunaíma, mas tenho uma história a contar.
Era uma vez... Mentira, é sucinta!
Só sei desse livro por intermédio de um professor de literatura, aula que eu amava porque ele era o professor mais gato da escola. Tá, eu gostava de ler, mas nesse caso a leitura ficava em segundo plano, rs! Ele ama esse livro e vez ou outra encenava algumas falas ou narrava algumas partes.


Nunca li, é fato, mas ele se faz presente na minha história.
Fim, rs!

Beijo, bRu!

Marcio Nicolau disse...

Brilhante, Bruno! Sobretudo o que você disse a respeito do grito de independência.
Outra coisa: adorei a idéia da foto. Sabe que achei, em princípio, que você tinha escrito um livro? rs

Abraços do amigo blogueiro,

Marcio.

Adriano Mariano disse...

Boa dica...
vou procurá-lo.

Abraço.

railer disse...

valeu a dica! com tantos vampiros e feiticeiros dominando os livros por aí é sempre bom ter algo com mais conteúdo pra se ler, ainda mais quando se trata de autores brasileiros!

dica: veja na lateral do meu blog um link de como melhorar a forma de as pessoas comentarem nos blogs!

lluke disse...

Literatura brasileira é como o cinema nacional: bom e autêntico como feijoada vegetariana e churrasco de carne de soja.